Quinze micro e pequenas empresas do Pará avançaram para a segunda etapa do 1º Chamamento Travessias da Economia Verde do Pará. A iniciativa busca fortalecer negócios inovadores com potencial de crescimento e impacto socioambiental, oferecendo suporte para estruturação, acesso a mercados e preparação para investimentos.
O chamamento é realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Pará, por meio do Núcleo de Acesso ao Crédito, em parceria com a Facility de Investimentos Sustentáveis, a FAIS. Ao todo, 24 negócios participaram da primeira fase, encerrada em 30 de junho, e 15 foram selecionados para continuar no processo.
Diversidade da bioeconomia paraense
As empresas classificadas atuam em diferentes frentes da economia verde e da bioeconomia amazônica. O grupo inclui empreendimentos que produzem alimentos, cosméticos e peças de vestuário a partir de matérias-primas da biodiversidade regional.
Também avançaram negócios voltados à criação de estruturas modulares fabricadas com madeira proveniente de manejo florestal sustentável. A variedade das propostas mostra como recursos, conhecimentos e cadeias produtivas da região podem originar produtos e serviços com atenção à conservação ambiental.
Entre as 15 empresas selecionadas, 11 possuem mulheres em cargos de liderança. O mesmo número registra receita operacional superior a R$ 200 mil. Os indicadores revelam uma presença feminina expressiva entre os negócios que chegaram à nova etapa e mostram que parte das iniciativas já mantém operação comercial.
Próxima etapa avaliará modelo e impacto
A classificação não representa garantia de investimento. Agora, as empresas deverão preencher o Plano de Negócios e Investimento, conforme o cronograma oficial, e passar por uma análise mais detalhada de seus modelos de atuação.
Entre os aspectos avaliados estarão a capacidade de gerar impacto socioambiental, a sustentabilidade financeira, a organização do negócio, o acesso a mercados e o grau de inovação das soluções. A avaliação também observará as possibilidades de crescimento e expansão comercial.
Os empreendimentos que continuarem no processo ainda serão submetidos a diligências técnicas e jurídicas. Somente depois dessas etapas poderão avançar para a seleção final, a negociação e a eventual formalização dos contratos.
Aportes podem chegar a R$ 130 mil
Ao final do processo, os negócios escolhidos poderão receber aportes individuais entre R$ 30 mil e R$ 130 mil. A liberação dos recursos dependerá da conclusão das avaliações e da assinatura dos respectivos contratos.
O apoio previsto não se limita ao capital. A proposta do Fundo Travessias inclui consultoria, estruturação empresarial, assistência técnica, abertura de mercados, conexões estratégicas e preparação para a atração de novos investidores.
A estratégia busca ajudar micro e pequenas empresas a crescer com maior organização, ampliar a capacidade produtiva e alcançar novos compradores. Ao aproximar capital e iniciativas sustentáveis, o programa pretende fortalecer empreendimentos capazes de combinar atividade econômica, geração de renda e conservação ambiental.
Programa conecta negócios e investimentos
O Fundo Travessias é um mecanismo coordenado pela FAIS em convênio com o Sebrae. Sua atuação combina assistência técnica, desenvolvimento empresarial e instrumentos financeiros para apoiar negócios da bioeconomia amazônica em sua jornada de acesso a investimentos.
A página oficial do chamamento informa que o programa contempla setores como bioeconomia, energia renovável, turismo sustentável, economia criativa, agricultura sustentável, água, gestão ambiental e infraestrutura sustentável.
O cronograma prevê o preenchimento dos planos de negócios entre 4 e 23 de agosto. A avaliação dessa etapa segue até setembro, antes das diligências técnicas e jurídicas. As datas podem ser alteradas, por isso as empresas participantes devem acompanhar as atualizações publicadas pela organização.
Crescimento com impacto positivo
O avanço das 15 empresas coloca em evidência iniciativas que usam a biodiversidade amazônica como base para produtos, serviços e inovação. O desafio das próximas fases será demonstrar capacidade de expansão, consistência financeira e contribuição socioambiental.
As informações sobre o número de inscritos, as empresas classificadas, os segmentos atendidos, os critérios de avaliação e a faixa possível de aportes foram publicadas originalmente pela Revista Amazônia, com dados da FIEPA e da FAIS.

